O Apanhador no Campo de Centeio


"...tudo quanto é peixe morre quando chega o inverno?"

Imagine um adolescente que é irritado, gosta de fazer bagunça e não liga para ninguém. Apesar de tanta revolta, ainda é um virgem de 17 anos. Assim é Holden Caulfield, o desordeiro sem causa que estuda em um famoso internato para rapazes e resolve abandonar o lugar em determinada noite depois de saber que provavelmente será reprovado e expulso. O medo do dia em que a notícia chegará aos seus pais leva o personagem criado por J. D. Salinger a uma pequena jornada pessoal.

Holden odeia gente velha, não gosta de seguir comportamentos habituais, fuma, bebe, é observador e critica quase o tempo todo a sociedade. Além disso, não gosta de cinema... "De cada dez pessoas que choram de se acabar com alguma cretinice no cinema, nove são, no fundo, uns bons sacanas" E detesta atores... "Pra começo de conversa, detesto os atores. Nunca se comportam como gente normal." Mas, incoerente como é (e como foi construido propositalmente), sabe nomes de filmes, peças e referências culturais.

O primeiro detalhe do livro é a narração em 1ª pessoa que demonstra claramente os modos e gírias da época (1951 - ano de lançamento). Desse modo, os parágrafos são chatos e um tanto "inoportunos" aos que buscam conteúdo logo de cara. No bom português, só existe reclamação! O problema é que, para quem está acostumado com algo mais literário -- por assim dizer --, esse jeito de narrar, se repetido à exaustão, cansa. E muito. Nas primeiras páginas ou troço que o valha, você acha um bocado de palavras como essas, mas um bocado mesmo, sabe? Pra chuchu. Fora de brincadeira. Mas o negócio é assim mesmo... Enchendo um bocado a droga de uma página que o valha... Verdade mesmo, sem ser sacana. Se você lê durante muito tempo, é bem capaz de sair falando igual.

A história toda gira em torno do aprendizado e passagem da adolescência para a vida adulta, isso é indiscutível, mas não existe nenhuma reflexão direta. O personagem atravessa todos os 26 capítulos conversando sobre momentos e pessoas que passaram por sua vida. É prolixo no auge e desvia de assuntos com uma capacidade incrível. Cheio de oralidades, tudo é muito cru. Não há pensamentos filosóficos ou alguma metáfora explícita. Pela metade do livro até é possível perceber um pequeno amadurecimento, mas bem rústico: o personagem está sozinho e às vezes se sente mal. "O troço me fez sentir deprimido e podre outra vez", ele diz. Longe de toda a juventude "esculachada" do internato, começa a sentir uma estranha espécie de compaixão pelos cidadãos que o cerca e conta mais sobre seus familiares -- sua relação com os irmãos, por exemplo. Os personagens vão aparecendo: as meninas que já gostou mas tentou respeitar, um par de freiras, a mãe de um conhecido do internato, dentre outros. Apesar de ainda carregar muitos preconceitos dentro de seus diálogos, com o tempo começa a se repreender por atitudes passadas.

Feito de "causos", não acontece nenhum evento crucial no livro e não existe clímax. O título é explicado apenas no final e deixa transparecer o lado um tanto inocente e bondoso do caráter de Holden. Um típico jovem que se queixa de tudo, mas sabe que no fundo boa parte de seus dilemas são diferentes do que pensa. Talvez o máximo que possa acontecer é você se acostumar com a aura da narração e deixar de achá-la tão irritante quanto no começo, fazendo com que o texto possua uma certa fluidez e o cinismo do personagem o torne, de uma maneira bizarra, cativante.

A razão de tamanho falatório e culto absurdo pelos fãs? Não sei. Talvez tenha se tornado cult pela polêmica. O personagem de Anthony Burgess em Laranja Mecânica possui diversos motivos para ser bem mais "fatal" e nem por isso levou tal fama. A impressão que tenho é a de que os assassinos de John Lennon e da atriz Rebecca Schaeffer (que possuiam uma edição da obra) -- ou até mesmo o responsável pelo atentado ao presidente Ronald Reagan -- não passaram das primeiras páginas.

"Entre outras coisas, você vai descobrir que não é a primeira pessoa a ficar confusa e assustada, e até enojada, pelo comportamento humano. Você não está de maneira nenhuma sozinho nesse terreno, e se sentirá estimulado e entusiasmado quando souber disso. Muitos homens, muitos mesmo, enfrentaram os mesmos problemas morais e espirituais que você está enfrentando agora. Felizmente, alguns deles guardaram um registro de seus problemas. Você aprenderá com eles, se quiser. Da mesma forma que, algum dia, se você tiver alguma coisa a oferecer, alguém irá aprender alguma coisa de você. É um belo arranjo recíproco."

2 Response to O Apanhador no Campo de Centeio

  1. Clenio says:

    Boring, boeing, boring... só o que eu tenho a dizer sobre esse livro....

    Bjos
    Clênio
    www.lennysmind.blogspot.com
    www.clenio-umfilmepordia.blogspot.com

  2. @Clenio

    E tanto q conversamos e eu irritado com o livro e achando boring boring boring.... MASSSS... parte de mim ainda acha..... mudaria bastante coisa kkkkkkkkk

    bjs